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Umidade de rodapé

É um dos tipos de umidade mais complexas de se resolver. Na maioria dos episódios, são originadas por falha ou falta de impermeabilização da fundação. Dependendo também no nível do piso externo em relação ao nível do piso do imóvel.

Quando aparecem causam um incomodo considerável, seja pela aparência (figura 1) ou pela sujeira pois, inicialmente ela aparece como uma mancha e com o tempo, se não cuidado, deteriora o revestimento. Se for argamassa e pintura, essa fica pulverulenta e descasca, solta pó. Se for revestimento cerâmico, a cor da cerâmica se altera, normalmente deixando a peça mais escura que as demais e com o tempo a peça se solta, podendo desplacar/cair.


Figura 1 - umidade no rodapé - Fonte Melina Silva


Essa umidade é conhecida tecnicamente como infiltração por capilaridade. Esse fenômeno acontece devido a combinação da falta de impermeabilização e composição dos materiais de construção, em sua maioria são materiais porosos como o tijolo, cimento, areia, etc.

Materiais porosos permitem que água passe por dentre seus poros e assim a água é transmitida, do lado de fora para o lado de dentro, como se fosse uma esponja mesmo.

A melhor maneira de impedir que isso aconteça é através da prevenção, antes da conclusão da construção, de preferência previsto em projeto. Sim, no projeto de impermeabilização!!! Porém, se a construção já aconteceu e só agora o problema apareceu, em alguns casos ainda dá pra concertar, mas vai dar um pouquinho de trabalho.

Muitas pessoas acreditam que se raspar e pintar novamente irá dar jeito, não! Infelizmente só uma pintura nova não vai resolver. Nesse caso será necessário retirar a argamassa comprometida pela umidade e as vezes até se faz necessário retirar o tijolo, mas calma, cuidado para não demolir a casa, existe um passo-a-passo!

No caso da remoção apenas do reboco, será necessário retira-lo por completo, numa profundidade até encontrar o tijolo. A remoção deverá ser feita, se possível, do lado interno e externo do imóvel. A altura da faixa de remoção deve estar entre 50cm e 1m (figura 2), depende da intensidade da infiltração. Deve-se deixar essa área aberta durante pelo menos 48h (protegido da chuva) para permitir que a parede seque minimamente, devendo a superfície do tijolo estar levemente úmida (isso é importante para que o tijolo não sugue a umidade da argamassa rapidamente).

Figura 2 - Imagem do livro "Inspeção para compra de imóveis" de Roger Teixeira et all.


A figura 2 apresenta duas imagens onde a imagem ‘A’ apresenta a parede já com o material aplicado e a ‘B’, a parede após a pintura. O produto impermeabilizante deve ser apropriado para aplicação em rodapé, podendo ser monocomponente ou bicomponente.

Caso a parede receba muito sol, mesmo que seja pelo lado de fora, é recomendável que o impermeabilizante seja semi-flexível ou flexível, afim de suportar a movimentação térmica e assim não sofra fissuras, o que abre espaço para passagem da água.

Se o caso for mais severo, é recomendável a remoção do reboco e tijolo, mas atenção, esse procedimento não pode ser feito em paredes estruturais, somente em paredes de vedação, do contrário, isso provocará um desastre!


Figura 3-Imagem do livro "Como evitar erros na construção" de Ernesto Ripper


O serviço deve ser feito com cautela, retirando a fiada de tijolos mais próxima ao piso (figuras 3,4 e 5), porém, em etapas para não provocar a demolição do imóvel.

Nesse caso deve-se retirar um metro linear de tijolo e pular um metro, depois tirar outro metro e pular outro metro e depois voltar aos pontos que foram pulados e fazer o mesmo com eles. O procedimento deve ser feito em todo o perímetro do imóvel ou no mínimo, nas áreas em que a umidade se apresente.

A nova fiada de tijolos deve ser impermeabilizada (argamassa polimérica ou produto próprio para rodapé) e assentada no local novamente, se possível, fazendo um lastro de argamassa de cimento com impermeabilizante na base, entre o piso e a nova fiada de tijolos.

No caso da remoção da fiada da parede, é recomendável que o serviço seja realizado com supervisão de um arquiteto e/ou engenheiro, afim de que a parede seja avaliada, se estrutural ou não.

No caso de somente remoção do reboco, não se faz necessário a presença de um arquiteto(a) ou engenheiro(a), o morador do imóvel pode fazer por conta própria ou ainda pelo pedreiro de sua confiança.



Figura 4 - Imagem do livro "Como evitar erros na construção" de Ernesto Ripper

É importante que o material seja comprado de acordo com a situação, lembrando que impermeabilizante não é tudo igual. Existe um tipo de produto recomendado para cada situação, considerando a umidade do local, a exposição ao sol e a chuva, se está apoiado no solo ou suspenso, dentre outros fatores.

Para se ter certeza da compra do material ideal, é recomendável uma consulta ao seu arquiteto/engenheiro de confiança. Se você ainda não tem um profissional de confiança ou o seu profissional não tem experiência com impermeabilização, entre em contato com a gente para uma orientação assertiva, evitando desperdício financeiro e retrabalho.


Devemos lembrar que, a umidade de rodapé, além de incomodar pela aparência e/ou sujeira, também pode ser maléfico à saúde das pessoas, uma vez que a área úmida viabiliza a proliferação de mofo e fungos, que podem provocar alergias respiratórias e lesionar o sistema respiratório das pessoas que convivem no imóvel.

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